Ciência Post
Blog criado por professores de ciências para o curso Melhor Gestão, Melhor Ensino da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo.
sexta-feira, 11 de outubro de 2013
MINHA EXPERIÊNCIA COM LEITURA E ESCRITA
MINHA EXPERIÊNCIA COM LEITURA E ESCRITA
Tenho grandes lembranças da infância em relação as primeiras
letras que escrevi mesmo antes de entrar na escola .Sou de uma família de cinco
irmãos ,sou o quarto filho .Quando eu tinha cinco anos meu irmão e minhas duas
irmãs mais velhas já estavam na escola , nessa época moravamos em São Bernardo
so Campo , eu adorava levá-los à escola com a minha mãe , cuja escola ficava na
rua de trás da minha casa , Colégio Estadual Cacique Tibiriça .Após o almoço levávamos meus irmãos à escola e eu retornava com a minha mãe ,devido a
proximidade da escola conseguíamos ouvir o sinal de entrada das crianças , em
casa nesse momento eu pegava meu caderno e começava a desenhar , então minha
mãe começou a ensinar as primeiras letrinhas,ah!aprendi a escrever meu nome
,foi muito especial aquele dia ,mostrei para minhas primas e tias que eu já
sabia escrever .Ao completar sete anos de idade finalmente fui para escola
,minha primeira escola foi no interior, minha família tinha acabado de se mudar
para Presidente Bernardes , foi lá no grupo escolar Dr Paulo Soares Jr a minha
primeira escola onde aprendi a ler e escrever as lições da cartilha .Ainda da infância , lembro textos do momento de leitura da 2ª ;3º e 4º série ,textos que
lembro na íntegra ou parcialmente mas com um sabor delicioso de infância que
nem mesmo meus quarenta e cinco anos conseguiram apagar.A leitura e a escrita
me traz lembranças importantes de vários momentos,alguns registrados e datados
, que vez em quando encontro em meio de papéis amarelados pelo tempo , outros
apenas no pensamento.
sábado, 28 de setembro de 2013
domingo, 22 de setembro de 2013
Ser leitor, ser crítico, ser cidadão... Ser humano.
Aos quatro anos de
idade, adorava "ler" as estações do metrô. Ninguém sabia se eu
realmente lia, ou apenas havia decorado a ordem. O fato é que dizia todas!
Lá pelos cinco anos, ganhei da minha mãe uma lousa pequena que tinha todo o
alfabeto. Como ela já trabalhava na escola como servente (agente de serviços
escolares), trazia giz e pedia pra eu reescrever. Gostava muito de giz
colorido! Ganhei também um jogo de cubos. Alguns cubos tinham um desenho e um
nome embaixo, geralmente eram fáceis como PATO, SAPO, SAPATO; outros traziam
apenas sílabas. Nos momentos que ela estava em casa, geralmente na cozinha, ela
me deixava sentado e pedia pra eu montar as palavras de acordo com o
desenho.
Já na escola, na primeira série, lembro das aulas da professora Norilda. Cada
sílaba tinha um som e, juntas, formavam uma palavra. Agora sim eu posso dizer
que já sabia ler, afinal falava todas os nomes das linhas de ônibus. Mas ficava
muito bravo, pois nunca conseguia ler tudo que aparecia na tela da TV.
"Mãããããeeee, passa muito rápido". Todos riam! Depois vieram os
livros didáticos, esses eram chatos de ler. Adorava as figuras dos livros de
ciências e os mapas dos livros de geografia.
Já aos 10 anos, meu irmão assinou a revista Veja. Acha que eu passava horas
lendo as matérias? Que nada! Debruçava-me nas tabelas, gráficos e infográficos.
Esses muitos mais atraentes que aquele monte de palavras. Só "perdia meu
tempo" em ler a matéria quando não entendia o motivo daquele monte de
números, barras, riscos e desenhos. Já nos últimos anos do ensino fundamental,
não entendia como meus amigos não conseguiam fazer aquilo que pra mim era tão
fácil. No colégio, só precisei saber como montar um gráfico; interpretá-lo eu
já sabia!
Minha mãe sempre me presenteou com livros e Atlas. Depois, com livros da
faculdade.
Nesse período, ela voltou pro supletivo, pois só tinha estudado até a quarta
série. Nos ajudavámos com nossas atividades. Eu fui pro colegial, ela quis
parar na oitava. "Não quero mais!"
Nosso primeiro
computador veio quando eu já tinha 12 anos, mas internet era sonho. Recebíamos
os CDs da América Online e do UOL... Nunca usamos! Computador era pro meu irmão
fazer seus trabalhos e pra eu jogar quando ele saia. Internet discada só chegou
em casa quando eu já estava no último ano do colégio, aos 16. Era só pra
batepapo, ICQ e MSN... Na faculdade é que começou a fazer algum sentido útil.
Algumas pessoas tinham uma tal de "página pessoal". Assim surgiu o
meu blog (que tenho até hoje). Os arquivos já se perderam há muito tempo, mas o
endereço está lá. Era uma razer escrever quase todos os dias pra cerca de 500
visitantes, refletir o cotidiano, receber comentários, ler os blog alheios... Crescer
na blogosfera!
As redes sociais reduziram aqueles enormes textos em linhas no Facebook, ou 140
caracteres no Twitter. Mas a opinião, a reflexão e o "não acomodar com o
que incomoda", de Fernando Anitelli, ficaram. Somos seres pensantes,
reflexivos... Assim, somos humanos
sexta-feira, 20 de setembro de 2013
Lição ambiental
Xico Graziano*
Logística reversa: a expressão soa difícil, mas contém um bom princípio. Introduzido na gestão ambiental, estabelece uma corresponsabilidade: quem gera resíduo também deve cuidar da sua reciclagem. Tarefa para a verdadeira sustentabilidade.
Logística reversa: a expressão soa difícil, mas contém um bom princípio. Introduzido na gestão ambiental, estabelece uma corresponsabilidade: quem gera resíduo também deve cuidar da sua reciclagem. Tarefa para a verdadeira sustentabilidade.
Alguns exemplos ilustram o assunto. Veja na iluminação doméstica. Desde as ameaças do apagão de 2001, as antigas lâmpadas incandescentes, aquelas com filamentos que produzem luz (e calor) quando acesas, foram condenadas por causa do seu elevado consumo de energia. Acabaram substituídas por novos produtos, mais econômicos e bem mais longevos, embora mais caros: as lâmpadas fluorescentes. Os cidadãos se sentiram mais "ecológicos" ao promover a troca da tecnologia.
Acontece que, embora menos perdulárias em energia, as lâmpadas fluorescentes apresentam metais pesados em seu conteúdo vaporoso, característica que as torna inimigas do meio ambiente. Essa toxicidade exige que seu descarte seja cuidadoso, evitando especialmente contaminar as águas, superficiais ou subterrâneas. Por isso, quando uma lâmpada dessas parar de funcionar, ela deve ser levada a um ponto certo de coleta, para ser corretamente reciclada. Pergunto: você conhece algum lugar amigável desses?
De minha parte, nunca vi. Ninguém liga para o recolhimento de lâmpadas usadas. A situação é grave, pois a cada ano se fabricam 250 milhões de unidades fluorescentes e somente 6% delas, no descarte, entram no circuito da reciclagem. As demais se misturam com o lixo comum, enterradas nos aterros sanitários depois de terem os seus vapores mercuriais vazados no estouro dos invólucros envidraçados. Poluição somada ao desperdício.
Noutros ramos de consumo se detecta facilmente semelhante problema. O Brasil tornou-se recordista mundial na geração per capita do chamado "lixo eletrônico". Joga-se a ermo, anualmente, cerca de 1 milhão de toneladas de celulares, televisores, aparelhos de som, computadores, juntamente com seus transformadores, codificadores, placas, circuitos e tantos componentes mais. Além do volume, estupendo, nos circuitos eletrônicos utilizam-se metais como cádmio, chumbo, berílio e também compostos químicos que, se queimados, liberam toxinas perigosas. Pergunto novamente: onde dispor corretamente os velhos aparelhos?
Difícil. Aqui e acolá, é verdade, se descobrem lugares para o descarte ambientalmente correto de baterias. Com aparelhos velhos, uma ou outra loja os aceitam. Tudo o que se faz, porém, representa pouco perante o tamanho da problemática, que só faz crescer. Basta vasculhar as gavetas das escrivaninhas domésticas para se encontrar porcaria eletrônica encostada, principalmente carregadores de celular, petrechos que nunca se acoplam no telefone novo recém-adquirido. Dá até dó ver aquela bagunça eletrônica emaranhada.
Embalagens de eletrodomésticos, cheias de isopores, recipientes plásticos de cosméticos e xampus, vasilhames de produtos alimentares, vassouras e rodos de limpeza domiciliar, por onde se observa se percebe essa incrível geração de resíduos sólidos, típica da sociedade de consumo. Os poderes públicos, com honrosas exceções, pouco atuam na coleta seletiva, entregando o problema às cooperativas de catadores, aos coitados moradores de rua. Desse dilema nasceu a logística reversa.
Incluída na Política Nacional de Resíduos Sólidos (2010), a legislação brasileira consolidou-a como boa prática ambiental. Mas, como sempre, a sistemática demora a sair do papel. As empresas resistem a montar estratégias e estruturas para retirar do mercado os restos das mercadorias que fabricam. Existe, todavia, uma exceção: trata-se do setor de agrotóxicos. É surpreendente.
Fruto de profícuo entendimento na cadeia produtiva, intermediado pelo governo de Fernando Henrique Cardoso, empresas, produtores rurais, distribuidores comerciais, sindicatos, cooperativas e associações apoiaram a Lei 9.974 (2000), que estabeleceu a obrigatoriedade das empresas fabricantes de recolherem as embalagens dos produtos vendidos aos agricultores. Pouco tempo depois, as multinacionais criavam o Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inpEV), entidade destinada a gerenciar o sistema, avançando pioneiramente na agenda da logística reversa. Pasmem: dos agrotóxicos.
Antes, a situação no campo andava complicada. Sem saber como proceder com os frascos vazios, os produtores rurais os enterravam, queimavam, jogavam nas bibocas, e até inadvertidamente os reutilizavam como recipientes para servir água aos animais, pondo em risco a saúde dos bichos, a sua própria e a do meio ambiente. Construída a solução, articulados com as cooperativas e com os revendedores, a ela aderiram. Em massa.
Hoje os agricultores compram seus pesticidas e os utilizam, fazem a chamada "tríplice lavagem" dos recipientes vazios - necessária para eliminar resíduos tóxicos - e os retornam para as 414 unidades de recolhimento espalhadas pelo território nacional. Estas direcionam as embalagens usadas para nove centrais de reciclagem, incluindo uma fábrica de aproveitamento ("ecoplástico") de resina, montada em Taubaté (SP). Marcha à ré na rota da poluição no campo.
Exemplar, a experiência brasileira bateu o recorde mundial no recolhimento de embalagens vazias de agrotóxicos, recolhendo, em 2012, 94% do volume de recipientes. Esse índice supera longe o de países desenvolvidos, como Alemanha (76%), França (66%), Japão (50%), Austrália (30%) e Estados Unidos (30%). Feito sensacional da moderna agricultura brasileira.
A lição ambiental que vem da roça serve para a cidade. Basta querer fazer. Lâmpadas queimadas, ou lixo eletrônico, deveriam ser entregues na porta dos vendedores. Ou dos fabricantes. Eles que se virem.
Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,licao-ambiental-,1075638,0.htm em 17 de setembro de 2013
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