domingo, 22 de setembro de 2013

Ser leitor, ser crítico, ser cidadão... Ser humano.

Aos quatro anos de idade, adorava "ler" as estações do metrô. Ninguém sabia se eu realmente lia, ou apenas havia decorado a ordem. O fato é que dizia todas!


Lá pelos cinco anos, ganhei da minha mãe uma lousa pequena que tinha todo o alfabeto. Como ela já trabalhava na escola como servente (agente de serviços escolares), trazia giz e pedia pra eu reescrever. Gostava muito de giz colorido! Ganhei também um jogo de cubos. Alguns cubos tinham um desenho e um nome embaixo, geralmente eram fáceis como PATO, SAPO, SAPATO; outros traziam apenas sílabas. Nos momentos que ela estava em casa, geralmente na cozinha, ela me deixava sentado e pedia pra eu montar as palavras de acordo com o desenho. 



Já na escola, na primeira série, lembro das aulas da professora Norilda. Cada sílaba tinha um som e, juntas, formavam uma palavra. Agora sim eu posso dizer que já sabia ler, afinal falava todas os nomes das linhas de ônibus. Mas ficava muito bravo, pois nunca conseguia ler tudo que aparecia na tela da TV. "Mãããããeeee, passa muito rápido". Todos riam! Depois vieram os livros didáticos, esses eram chatos de ler. Adorava as figuras dos livros de ciências e os mapas dos livros de geografia.



Já aos 10 anos, meu irmão assinou a revista Veja. Acha que eu passava horas lendo as matérias? Que nada! Debruçava-me nas tabelas, gráficos e infográficos. Esses muitos mais atraentes que aquele monte de palavras. Só "perdia meu tempo" em ler a matéria quando não entendia o motivo daquele monte de números, barras, riscos e desenhos. Já nos últimos anos do ensino fundamental, não entendia como meus amigos não conseguiam fazer aquilo que pra mim era tão fácil. No colégio, só precisei saber como montar um gráfico; interpretá-lo eu já sabia!



Minha mãe sempre me presenteou com livros e Atlas. Depois, com livros da faculdade. 



Nesse período, ela voltou pro supletivo, pois só tinha estudado até a quarta série. Nos ajudavámos com nossas atividades. Eu fui pro colegial, ela quis parar na oitava. "Não quero mais!"


Nosso primeiro computador veio quando eu já tinha 12 anos, mas internet era sonho. Recebíamos os CDs da América Online e do UOL... Nunca usamos! Computador era pro meu irmão fazer seus trabalhos e pra eu jogar quando ele saia. Internet discada só chegou em casa quando eu já estava no último ano do colégio, aos 16. Era só pra batepapo, ICQ e MSN... Na faculdade é que começou a fazer algum sentido útil. Algumas pessoas tinham uma tal de "página pessoal". Assim surgiu o meu blog (que tenho até hoje). Os arquivos já se perderam há muito tempo, mas o endereço está lá. Era uma razer escrever quase todos os dias pra cerca de 500 visitantes, refletir o cotidiano, receber comentários, ler os blog alheios... Crescer na blogosfera!


As redes sociais reduziram aqueles enormes textos em linhas no Facebook, ou 140 caracteres no Twitter. Mas a opinião, a reflexão e o "não acomodar com o que incomoda", de Fernando Anitelli, ficaram. Somos seres pensantes, reflexivos... Assim, somos humanos

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