Aos quatro anos de
idade, adorava "ler" as estações do metrô. Ninguém sabia se eu
realmente lia, ou apenas havia decorado a ordem. O fato é que dizia todas!
Lá pelos cinco anos, ganhei da minha mãe uma lousa pequena que tinha todo o
alfabeto. Como ela já trabalhava na escola como servente (agente de serviços
escolares), trazia giz e pedia pra eu reescrever. Gostava muito de giz
colorido! Ganhei também um jogo de cubos. Alguns cubos tinham um desenho e um
nome embaixo, geralmente eram fáceis como PATO, SAPO, SAPATO; outros traziam
apenas sílabas. Nos momentos que ela estava em casa, geralmente na cozinha, ela
me deixava sentado e pedia pra eu montar as palavras de acordo com o
desenho.
Já na escola, na primeira série, lembro das aulas da professora Norilda. Cada
sílaba tinha um som e, juntas, formavam uma palavra. Agora sim eu posso dizer
que já sabia ler, afinal falava todas os nomes das linhas de ônibus. Mas ficava
muito bravo, pois nunca conseguia ler tudo que aparecia na tela da TV.
"Mãããããeeee, passa muito rápido". Todos riam! Depois vieram os
livros didáticos, esses eram chatos de ler. Adorava as figuras dos livros de
ciências e os mapas dos livros de geografia.
Já aos 10 anos, meu irmão assinou a revista Veja. Acha que eu passava horas
lendo as matérias? Que nada! Debruçava-me nas tabelas, gráficos e infográficos.
Esses muitos mais atraentes que aquele monte de palavras. Só "perdia meu
tempo" em ler a matéria quando não entendia o motivo daquele monte de
números, barras, riscos e desenhos. Já nos últimos anos do ensino fundamental,
não entendia como meus amigos não conseguiam fazer aquilo que pra mim era tão
fácil. No colégio, só precisei saber como montar um gráfico; interpretá-lo eu
já sabia!
Minha mãe sempre me presenteou com livros e Atlas. Depois, com livros da
faculdade.
Nesse período, ela voltou pro supletivo, pois só tinha estudado até a quarta
série. Nos ajudavámos com nossas atividades. Eu fui pro colegial, ela quis
parar na oitava. "Não quero mais!"
Nosso primeiro
computador veio quando eu já tinha 12 anos, mas internet era sonho. Recebíamos
os CDs da América Online e do UOL... Nunca usamos! Computador era pro meu irmão
fazer seus trabalhos e pra eu jogar quando ele saia. Internet discada só chegou
em casa quando eu já estava no último ano do colégio, aos 16. Era só pra
batepapo, ICQ e MSN... Na faculdade é que começou a fazer algum sentido útil.
Algumas pessoas tinham uma tal de "página pessoal". Assim surgiu o
meu blog (que tenho até hoje). Os arquivos já se perderam há muito tempo, mas o
endereço está lá. Era uma razer escrever quase todos os dias pra cerca de 500
visitantes, refletir o cotidiano, receber comentários, ler os blog alheios... Crescer
na blogosfera!
As redes sociais reduziram aqueles enormes textos em linhas no Facebook, ou 140
caracteres no Twitter. Mas a opinião, a reflexão e o "não acomodar com o
que incomoda", de Fernando Anitelli, ficaram. Somos seres pensantes,
reflexivos... Assim, somos humanos
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